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+++ Apanhado de lançamentos, artes, dicas 101% grrrl germs pra quem também não viu Abril passar +++

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O mês mais corrido do ano teve tanto lançamento e som novo que fica difícil organizar e falar de todos. Segue lista com alguns dos últimos lançamentos pescados entre março/abril:

>>> Luiza Lian lançou disco novo em março. Oyá Tempo é um álbum virtual, conceito que junta música e imagem. É som para ver. O trabalho foi lançado em áudio e vídeo e tem a assinatura particular de Luiza com muita poesia feminista e empoderada. Recomendado pra quem está à procura de diversos idiomas musicais num disco só. Visite o site oficial também pra experiência sensorial completa, uma brisa: www.luizalian.com.br

>>> Outra cantautora de destaque com disco novo é a sergipana Marcelle, a Equivocada, que lançou o segundo álbum em março. A pegada é retrô, romântica e minimalista. Ponto alto justamente pela produção recatada mas marcante dela com Dustan Gallas (Cidadão Instigado).

>>> Black Cold Bottles é um quarteto de São Bernardo do Campo e lançou Percept, um full bem agradável pra quem gosta do punch das guitar bandas seminais mas sabe apreciar o existencialismo soturno de figuras como Nick Cave. A figura feminina do grupo é Larissa Lobo, que traz o diferencial tocando ukulele. Ela também assina linhas de guitarra e divide os vocais com Bruno Carnovale.

 

>>> Pra quem gosta de eletrônico e lo-fi e não vê problema nenhum nessa soma, Melies é um duo composto por Danna (que mora no Rio Grande do Sul) e Giovanni (SP). O debut Ephemeris (Nap Nap Records) foi feito à distância e é de atmosfera escura, minimal, às vezes tensa, às vezes calma, trip que merece ouvir de fone.

 

>>> Ainda na pegada eletrônica, destaque pro primeiro EP da banda OZU, formada em SP, em 2015. The Downbeat Sessions nº1 junta o orgânico da guitarra/baixo/bateria com o sintético e as levadas eletrônicas de um trip hop jazz no melhor estilo inglês. Juliana Valle  tem os vocais e interpretação mais que propícios pra este estilo:

>>> Cada vez mais sujo, o trio Letty and The Goos liberou dois singles inéditos em abril. “From the Cold” e “Ugly Demons” estão para ouvir/baixar no Bandcamp e foram lançadas pela Dinamite Records.

 

>>> Também teve lançamento do primeiro clipe do In Venus, quarteto noise/post-punk de SP. “Mother Nature” foi o primeiro single do EP de estreia (que não vai demorar pra chegar) e agora sai também com vídeo criado a partir de imagens compartilhadas via Creative Commons.

 

>>> Estreia aguardada, o primeiro álbum de Charlotte Matou um Cara veio com a explosão que os primeiros singles prometiam. O quarteto paulistano tem toda a garra e sonoridade pra ser a nova banda punk/HC feminista de visibilidade nacional que estávamos esperando desde o começo do milênio. Espalhem esse disco, horrorizem xs vizinhxs:

 

>>> Miss Corin Tucker não descansa. Este mês teve lançamento do Filthy Friends, a nova superbanda da qual ela faz parte. Já haviam dois singles lançados (ambos especiais à projetos beneficentes) e a banda acaba de lançar mais duas músicas para o Record Store Day (na sexta-feira, 21/abril). O single foi prensado em 7″ pela Kill Rock Stars e é o carro-chefe dos primeiros shows, que acontecem pelo Noroeste dos States nos próximos dias. Filthy Friends é Corin Tucker (Sleater-Kinney) ao lado de Peter Buck (REM), Scott McCaughey (The Young Fresh Fellows/The Minus 5), Bill Rieflin (REM/King Crimson), Kurt Bloch (Fastbacks) e, ocasionalmente, Krist Novoselic.

Enquanto isso, o Sleater-Kinney anunciou que está com música inédita na nova compilação de apoio ao Planned Parenthood. Os lançamentos serão em 7″ e trazem artistas como St. Vincent, Björk, Sharon Van Etten, Chvrches e muitxs outrxs. Veja aqui a lista completa. Adendo para os 20 anos do transgressor/intransponível/esmagador Dig Me Out, álbum que eternizou a importância e legado do trio de Portland, e que completou duas décadas honrando o melhor do espírito Garotas Fazem O Que Querem.

>>> Pra terminar, agora na última sexta (28), Leslie Feist, 💘, soltou o novíssimo Pleasure. Como sempre uma audição fácil e agradável, as primeiras impressões são as melhores, um saudoso pop. Ouça aqui.

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Por aí:

>>> PapodeMulher é um novo meio independente produzindo conteúdo feminista. A aposta é fazer entrevistas em vídeo com mulheres que têm muito a dizer. Acompanhe o canal no Youtube e assista as edições já lançadas, todas uma lição.

>>> Tenho seguido e adorado o Feminaria, proposta de rede multidisciplinar para falar sobre tudo acerca de Feminismo, representatividade de gêneros, consciência coletiva, direitos e expansão feminina em todos os meios visando o empreendedorismo e crescimento da mão-de-obra/intelecto das mulheres na sociedade. Favorite e siga: www.feminaria.com.br .

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Artes:

>>> Coletivo Cósmico é a proposta de um grupo de mulheres artistas fazendo desenhos, fotografias e bordados para tratar de assuntos pertinentes ao empoderamento e liberdade sobre nossos corpos/emoções/fantasias. Os trabalhos são delicados mas não deixam de expressar toda a tormenta que passamos/força que buscamos quando se trata de conquistar equidade, respeito e pertencimento. Passe no Iluria pra conhecer e comprar peças do catálogo.

(“Mãe Universo”, de Daniella Salamão)

(“Correnteza”, bordados de Camila Visentainer)

>>> Ao ler este artigo sobre culinária emocional, conheci a série “Women and Food” de Lee Price, artista americana que coloca a Mulher no centro de seus trabalhos. As imagens poderiam facilmente passar por fotografia, mas são ilustrações hiper-realistas feitas em óleo. Abaixo uma das peças desta série e outra da série “Surfacing”. Impressionante. Veja mais no site: www.leepricestudio.com .

(“Women & Food”)

(Surfacing)

>>> Lady Guedes é Fernanda Guedes, ilustradora de SP. O trabalho da Lady é bem contestador e fala através de desenhos que exploram o comportamento feminino, a sexualidade e a diversidade de gêneros. Ela já teve trabalhos expostos nos EUA, Inglaterra, Espanha, Austrália e Japão, além de estar sempre pelas ruas de SP com intervenções como lambes e murais.

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Dando continuidade às ideias do Sagrado/Futuro Feminino e à atual percepção de que apenas partindo do coração/poder anímico mudaremos o mundo (((e fortaleceremos o salto quântico em transição pelo qual nossa querida Mãe Terra está passando))), deixo partes de um artigo muito esclarecedor e de fácil assimilação sobre a importância de nos reconectarmos ao nosso próprio centro (onde reside tudo aquilo que precisamos) para expandir as transformadoras forças geradas pelo Divino Feminino/Era do Coração equilibrando o Feminino e Masculino que habitam em todxs nós.

(Arte de Burgandy Viscosi)

Deus, Fonte, Consciência Divina, ou qualquer forma que vocês escolham para denominá-La, é inteira e completa, um equilíbrio de energia masculina e feminina. O Divino feminino é o aspecto Deus/Mãe do UM, enquanto o Divino masculino é o aspecto Deus/Pai do UM. Grande parte do mundo continua a reconhecer e venerar somente o aspecto Deus/Pai, relegando a outra metade de Deus como sendo irrelevante ou mesmo não existente. Muitas religiões continuam, ainda nos dias de hoje, a promover essa interpretação grosseiramente falsa da verdade.

As energias do Divino feminino estão centralizadas no coração, fluem como amor incondicional e são absolutamente necessárias para o todo. Sem o aspecto feminino de Deus, vocês têm um mundo guiado predominantemente pelo lado esquerdo do cérebro, de um paternalismo desprovido de amor, que é exatamente o que vocês estão testemunhando em tantos lugares.

Corações fechados não permitem que fluam as energias receptivas, intuitivas e criativas do Divino Feminino, resultando num desequilíbrio e sobrecarga de energias masculinas – as energias ativas daquele que deve ser, fazer e ter a lei e poder.

Esse desequilíbrio pode facilmente ser observado ao redor do mundo e particularmente se manifesta no oriente médio, onde maior parte as mulheres ainda vivem sujeitas ao domínio e caprichos do masculino.

Num certo ponto da evolução espiritual de todos, vem uma conscientização acerca desses desequilíbrios e eles começam a questionar intuitiva e silenciosamente muitos conceitos e crenças antes aceitos como normais.

Homens e mulheres que viveram suas vidas com os corações fechados, bloqueando a completa expressão das energias do Divino Feminino, acharão que o processo do despertar é um momento confuso e doloroso porque eles construíram suas identidades e seu valor próprio sobre o mito de ser o masculino mais importante do que o feminino.

Entretanto, o processo de abrir o coração só pode começar quando a pessoa se dá conta de que ele está fechado.

(…)

Aceitar o feminino como sendo exatamente tão importante quanto o masculino pode ser um processo esmagador para aqueles que foram criados em sociedade que promovem os machos como sendo mais valiosos do que as fêmeas.

No entanto, muitos estão agora prontos para compreender e aceitar a vital importância da energia da Mãe Divina – as energias receptivas, intuitivas, criativas e de amor incondicional manifestando-se em todos os níveis: físico, emocional, mental e espiritual.

Da mesma forma, de igual valor e importância são as energias do Divino masculino – o ativo, aquele que é, aquele que faz, o pensador. Essas facetas da energia do Divino Pai são igualmente necessárias para a completa e inteira expressão de Deus. Elas estão destinadas a trabalhar paralelamente com a energia feminina, de forma que todas as ações são equilibradas com amor incondicional.

Uma mulher equilibrada parece e age de forma feminina, mas respeita a si própria, está apta a dizer não, reconhece seu próprio poder inato e não tem medo de assumir o controle quando necessário com ações que refletem as necessidades, não os desejos, de todos os envolvidos.

Um homem equilibrado é aquele que toma decisões e aprecia as atividades do masculino, mas não tem medo de amar e ser amado, respeita os outros e não sente a necessidade de dominar para vivenciar seu valor próprio.

Nós não estamos falando de mulheres que tentam ser homens ou de homens que tentam ser mulheres. Falamos da evolução da humanidade para uma inteireza espiritual, através da aceitação e expressão de ambas as “metades” da Unidade Divina.

Uma mulher equilibrada continuará a parecer e se comportar de modo feminino, da mesma maneira que um homem equilibrado continuará a agir e parecer masculino, mas uma vez que ambos os centros estejam abertos (lado esquerdo do cérebro e coração), mulher e homem serão capazes de viver e expressar ambos os aspectos em cada situação.

A consciência tridimensional continua a difundir, através de filmes, TV, jornais e revistas, jogos e publicidade, conceitos de “homem de verdade” como sendo somente aqueles que são duros, dominantes e poderosos sem levar em consideração quem pode ser ferido no processo. Muitos ainda aceitam esses mitos, os quais, em sua maioria, são difundidos por aqueles que se beneficiam de alguma forma pela sua continuação.

(…)

A mídia continua a divulgar conceitos da mulher ideal como aquela que é fisicamente perfeita e bela, mas um tanto sem cérebro, e que precisa de um homem para ter algum valor. O homem ideal é divulgado como sendo fisicamente forte e poderoso, incumbindo-se de cada situação a “seu” modo, bem como sendo rico e bonitão, e, junto com a mulher ideal, vive feliz para sempre.

Esses conceitos estão desaparecendo rapidamente para a maioria, mas ainda existem muitos, até mesmo em meio aos evoluídos, que pensam sobre si mesmos como sendo a metade de um casal e necessitando da “pessoa certa” para que se sintam inteiros.

(…)

É preciso chegar para cada alma em evolução um tempo de equilíbrio entre as energias masculina e feminina que já estão presentes inteiramente dentro de cada indivíduo: as características do masculino de autoproteção e apoio ao ser feminino, e as características do feminino de amor-próprio e receptividade às ideias do ser masculino, nenhum deles subserviente ao outro.

Através de vidas de experiências baseadas em dualidade e separação, os indivíduos aprenderam que a vida era menos dolorosa se eles fechassem seus corações, o que resultou na criação do desequilíbrio que vocês testemunham no mundo hoje.

(…)

Estas não são apenas palavras bonitas porque o coração é o lugar onde o Divino Feminino permanece até ser reconhecido. Um coração aberto e equilibrado com o masculino permite à alma viver em sua plenitude ao invés de apenas sobreviver como uma metade.

(por Amanda Cordeiro e Suzel Mendonça)

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Grrrl Germs é a coluna semanal do Distúrbio Feminino com links, dicas e piras sobre música, feminismo, tendências, cena nacional, comportamento e tudo mais sobre a Mulher, os meios, o som e o Sagrado. Este boletim soma à nossa produção de conteúdo feita em zine impresso, podcast, posts em redes sociais, playlists e demais mídias. Comentários, sugestões, dicas e erratas podem ser enviados por e-mail: contato@supernova.mus.br.

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Mariângela Carvalho

Escrito por Mariângela Carvalho

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