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Mulheres radicais, mulheres na luta, mulheres criando. O corpo político. A Mulher do Futuro por Nikola Tesla. Ser uma Deusa e o que você tem a ver com a Lua. Grrrl Germs pós-eclipse. 🌙

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Alguém mais associa Mulher a sexo frágil? A presença feminina nos esportes radicais (mas não apenas) sempre foi relegada a menos exposição, a ser minoria, a ter seus corpos mais explorados que seus talentos. Retrocesso à parte, algumas mudanças são de se notar, como o surgimento de diversos grupos femininos tomando as pistas de skate pelo mundo e o buzz que isso tem gerado. (((Uma atenção um pouco exagerada demais quando pensamos que as mulheres sempre estiveram lá manobrando seus shapes mas, enfim.)))

Dias atrás, em matéria na i-D, uma seleção de grrrl gangs foi notícia. O interessante não é apenas notar que as meninas estão se unindo para criarem suas próprias bases mas também o alcance de mídia que isso tem. Através do Instagram, elas estão se tornando verdadeiras referências para outras meninas do mundo todo e a inspiração é implícita. A questão da diversidade é importante também: em época de equidade de gênero, nada mais natural que a noção de “esporte radical é pra homem” não fazer mais o mínimo sentido.

Entre os destaques da i-D, as Skate Witches parecem ser bem agilizadas. O nome é inspirado na gang cult dos anos 80 (veja aqui) e elas têm várias peças de merch muuuuito legais, além de fazerem um zine sobre a cultura do skate e Feminismo.

>>> O novo clipe da banda inglesa Wild Beasts, “Alpha Female”, lançado na última segunda-feira (6), foi filmado na Índia e mostra as meninas do skate de lá, onde há uma cultura já instituída de mulheres skatistas (mesmo que encaradas com despeito). “Em países como Afeganistão, Cambodja e Índia, o skate não foi concretizado como um esporte masculino e por isso teve um impacto cultural muito grande [para as mulheres], ensinando os valores de auto-empoderamento através do esporte”, conta a diretora do clipe Sasha Rainbow à Dazed. A música não é uma maravilha, a banda não tem integrantes mulheres e a letra não diz nada com nada >>> e perde a chance de explorar o tema “Mulher alfa” com mais dedicação <<< mas dá o play pra sacar as imagens:

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Mulheres na luta :

>>> Articulada pela liderança da Women’s March, uma greve geral de mulheres e não-binárixs deve acontecer nos próximos dias. A notícia foi dada na segunda-feira (6) nas redes sociais da WM e propõe “um dia sem Mulher”, um chamado para greve geral e que pode paralisar boa parte dos EUA mais uma vez.

 

O anúncio já gerou bastante mobilização e a organização da marcha deve dar mais detalhes nos próximos dias. É de se esperar uma aderência massiva ao movimento, que, mais uma vez, caminha para se tornar uma ideia global.

>>> Na Argentina, uma outra greve também segue planos de curso e está sendo organizada pela comunidade Ni Una Menos. No Dia Internacional da Mulher, 8/março, elas convidam à paralisação total das mulheres em seus serviços e afazeres por todo o país. #NosotrasParamos não é um parar e ficar de braços cruzados, a ideia é se reunir e levantar questões como feminicídio, desigualdade trabalhista, aborto e ideologias de gêneros.

O texto divulgado na página do evento é um manifesto bem atual e vale a leitura.

>>> Uma paralisação geral está sendo articulada por grupos feministas de todo o mundo. O nosso 8/março se configura para ser um dia de luta e conscientização através do globo. Mantenha-se informadx.

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Mulheres criando:

A explosão de projetos, propostas, atividades e campanhas lideradas por mulheres a fim de criar um ambiente seguro e profissional para seus trabalhos musicais é mais do que notável. Não apenas para compartilharem seus trabalhos, mulheres estão formando suas próprias cadeias produtivas para darem vazão a todos os seus talentos. A Mulher na Música hoje não é mais só tida como a cantora, a vocalista. Hoje essa Mulher na Música é a chefe: ela manda e desmanda. Ela sabe o que quer criar e, principalmente, como – no nível artístico e no busine$$.

Em BH, o coletivo Mulheres Criando deu as caras no ano passado quando uma campanha virtual promovida pela compositora e musicista Deh Mussulini se tornou viral e gerou alta adesão de artistas mineiras, expandindo-se além dos limites geográficos à medida que os compartilhamentos iam crescendo. Para não ficar apenas no online, uma mostra foi criada para apresentar & juntar a classe feminina de artistas em BH durante duas edições no ano passado.

Em conversa com Flávia Ellen, uma das produtoras, ela ressalta a importância da mostra ser sediada no Espaço Suricato, em BH. “O espaço é incrível e facilita muito nosso trabalho. A proposta da casa já é maravilhosa por si só: todxs que lá trabalham são egressxs da saúde mental. O ideal inclusivo delxs casa perfeitamente com o nosso. É uma energia linda que sentimos em todos os shows”, diz.

Mulheres criando: Bia Nogueira, Amorinha, Deh Mussulini e Flávia Ellen

Para 2017, os planos já aumentaram e a mostra terá oito edições, começando em março. O coletivo Mulheres Criando está fazendo um chamamento para artistas de todo o Brasil. “Neste momento, já passamos de 20 inscritas para a mostra. As artistas não são só de BH, o que tem sido bem legal. No ano passado, tivemos gente vindo de Ouro Preto, São Paulo, o que torna o movimento mais bonito, já que une mulheres de todo canto”, conta Flávia sobre o andamento do trabalho. O cadastro tá acessível aqui e as inscrições seguem até terça-feira (14).

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Nos sons: 🎶

>>> Lendo sobre a trajetória de Donna Dresch, conheci a coletânea Free to Fight, lançada pelo selo dela, a Candy Ass Records, em 1995.

Com o subtítulo Self Defense for Women and Girls (Auto-defesa para mulheres e meninas), a compilação tem 28 faixas intercaladas entre músicas e depoimentos sobre como se proteger e o que fazer em situações de violência. As bandas são uma incrível seleta de feminices underground dos anos 90 e o lançamento também saiu em zine lindíssimo com lições de auto-defesa, textos e desenhos bem f*das. Dá pra ler e baixar aqui.

>>> Teve novo álbum do Cherry Glazerr em meados de janeiro. Perdi o lançamento na época mas durante a semana foi um play bem rodado por aqui. Barulho bonito. Ouça:

 

>>> Amanhã tem novo EP do duo Hanging Freud chegando. Fique de olho.

>>> Alerta*banda*nova: Penumbra (SP).

Penumbra: Stefanie Contessoto (voz), Nyne Souza (guitarra), Camila Leão (bateria) e Carol Mags (baixo)

Pra ver e ouvir ao vivo dia 4/março ao lado de Radiation Risks, ACruz sem Hastro e Deb and The Mentals, na querida Associação Cultural Cecília. Join aqui.

>>> Status: apaixonada & maníaca por Tobi Vail. Tobi Vail tudo, my grrrl. 💘

(PS: Foto por Allison Wolfe)

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Leitura:

>>> “Corpos políticos, corpos empoderados”, publicado na revista pernambucana Outros Críticos, usa as apresentações de Elza Soares, Karina Buhr, e Larissa Luz na última edição do Festival de Inverno de Garanhuns (PE) para falar sobre a Liberdade de Expressão e o Discurso Alinhado de artistas femininas circulando pelo país. Uma abordagem sobre a autonomia que as mulheres estão conquistando, as performances impactantes dessas e outras artistas (como Ava Rocha e Iara Rennó) pela lente do “corpo político”: o corpo como arma e exercício de individualidade, auto-aceitação e linguagem. As aspas de Ava Rocha dizem tudo:

O corpo feminino enquanto território de potência, magia e criação e também de estupro, de violência, de massacre. Mas como expressão da paciência e da resistência, a mulher luta e goza, no seu corpo e no seu som, no seu corpo e no seu espírito, na cidade ou na floresta, como coisas inseparáveis. Estamos descobrindo a cada dia sobre esse corpo político.

Pra quem lembra bem, o corpo também foi arma & mídia durante o surgimento do riot grrrl, sendo usado para transmitir mensagens e empoderar. As canetinhas deixaram marcas reais no imaginário das meninas que buscavam Todas as Formas de Expressão.

>>> A propósito da Mulher Chefe e do Futuro Feminino, um 💜 extra e muitas !!!!!!! para esta matéria no Brain Pickings sobre como Nikola Tesla previu que o avanço da tecnologia e dos meios possibilitaria à Mulher revolucionar o sistema utilizando a inclusão digital e a facilidade de se comunicar para destituir as barreiras milenares do patriarcado.

Tesla, considerado o mais importante inventor & visionário do mundo, previu que as novas tecnologias viriam para alterar o estado de vigilância e subserviência ao qual a Mulher sempre esteve presa. >>> Ver os movimentos virtuais tomando o mundo não é mera coincidência, não é? <<< Para ele, a Mulher em busca pela equidade de gêneros vai resultar em uma Nova Ordem, sendo ela mesma, a Mulher, a raça superior. Como comentei uns dias atrás, >>> o Futuro Feminino já começou, está no presente. <<< (texto em inglês).

This struggle of the human female toward sex equality will end in a new sex order with the female as superior. (Tesla)

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Pra terminar:

O que é uma Deusa?

Uma Mulher que está no processo de aprender a conhecer, aceitar e amar a si mesma em todos os níveis, MenteCorpo&Espírito. Uma Mulher que, focada em crescimento pessoal e auto-consciência, prova uma vida cheia de paz, amor, alegria, paixão e diversão. Uma Mulher que entende que tem capacidade ilimitada para fazer o que quiser de sua vida. Uma Mulher que se inspira em compartilhar com xs próximxs por conta de seu senso de gratidão e abundância.

Já estamos lá. 🌹

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Adendo ::: a Mulher e a Lua ::: Dadas as duas últimas noites movimentadas no cosmos com muita atividade lunar, o timing é perfeito pra conhecer esse artigo (em inglês) sobre a relação da Mulher com a Lua, as fases, a menstruação e a criação do mundo.

Em algum ponto de nossa jornada evolutiva, a Lua se tornou a imagem universal da Deusa Eterna. A Lua não rege apenas o curso do mar, mas também o “curso” do útero. O ciclo menstrual coincide com o ciclo de 28 dias da Lua. Mesmo hoje, em diversas partes do mundo ainda se referem à fase menstrual como a “época da Lua”. (…) As primeiras associações entre os ciclos da menstruação e as fases da Lua foram achadas em calendários. Em várias línguas, as palavras Lua, mês, medição e menstruação [moon, month, measurement, menstruation] têm significados parecidos ou a mesma raiz etimológica [a origem das palavras]. Em gaélico [antiga língua de origem celta], por exemplo, as palavras “menstruação” e “calendário” são as mesmas. Associações similares são constatadas no mundo inteiro.

A imagem lunar da Deusa, em constante mudança e auto-renovadora, tornou-se símbolo do Céu e da Terra, e empresta seu significado e medida a todas as coisas. As três fases [nítidas] da Deusa Lua refletem nas vidas de todxs xs filhxs: humano, animal e vegetal.

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Grrrl Germs é a coluna semanal do Distúrbio Feminino com links, dicas e piras sobre música, feminismo, tendências, cena nacional, comportamento e tudo mais sobre a Mulher, os meios, o som e o Sagrado. Este boletim soma à nossa produção de conteúdo, feita em zine impresso, podcast, posts em redes sociais, playlists e demais mídias. Comentários, sugestões, dicas e erratas podem ser enviados por e-mail: contato@supernova.mus.br.

Tags : Distúrbio FemininoGrrrl Germs
Mariângela Carvalho

Escrito por Mariângela Carvalho

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