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A Marcha Fúnebre de uma Sociedade Bunda-Mole em Missa do Galo, novo do Giallos

Missa do Galo é caos. Giallos não nega: regressão à vista – ou já instituída? Morre a Democracia e com ela a virtuose do rock limpinho, arquitetado em estúdios caríssimos. Sem essa de textão para redes sociais nem militância de condomínio. A narrativa é a assombrosa realidade dos fatos: a ascensão do desumanismo. Os temas? Uma profusão sonora onde se encontram o barulho e a sordidez das notícias, dos preconceitos, dos julgamentos. Fazendo muito com pouco: guitarra, bateria, voz e crueza.

O disco mais reto e sujo do trio andreense não vem à toa: é resultado de quem tenta devolver ao rock seu status pensante, marginal, perigoso, contravencional. Aqui não tem essa de rock para dançar, nem para pregar da boca pra fora “mais amor, por favor”, muito menos para afagar os egos do nosso viralatismo nacional – sempre mirando soar altamente produzido e impecável porque “nos States é assim que eles fazem”. Giallos quer o tosco, o inadequado, gravar como se estivesse no quartinho da bagunça no fundo de casa. É aí que mora a diferença.

 

Parte de uma discografia já essencial ao rock suburbano dos anos 10, Missa do Galo tem uma relumbra única justamente porque não precisa de holofotes. É um disco punk de assinatura garageira produzido no calor do mês de janeiro na pequena sala do Caffeine Sound Studio, em São Paulo, berço de um irrestrito movimento de rocks-nem-um-pouco-moderninhos. As 11 faixas passam em alta velocidade pelos 25 minutos de duração do álbum. Entre uma música e outra, apenas um respiro para recobrar o fôlego. O vocal abafado contrasta com o volume alto dos instrumentos, uma particularidade anti-heroica em tempos de mixagens limpas e sedutoramente comerciais.

(Artes por ZBR)

Na falta de um termo melhor, chamar Missa do Galo de Rock Regressivo não poderia deixar de ser verdade. Dar um passo para trás para garantir que não se perca na soberba, fazer mais com menos numa imprevisível matemática musical. E quando, durante os últimos suspiros, tivermos que escolher uma marcha fúnebre para enterrar a imoralidade de nossa Sociedade Bunda-Mole, por favor, toquem esse disco.

(Por Rodrigo Sommer)

Giallos é Claudio Cox (voz), Flavio Lazzarin (bateria) e Luiz Eduardo Galvão (guitarra).

Missa do Galo é um lançamento do selo carioca Transfusão Noise RecordsDisponível (por enquanto) no Bandcamp e YouTube.

Ficha técnica:

Produzido por Luis Tissot e Giallos

Todas as músicas por Giallos, exceto “Colonial” e “Descuido” por Marco Butcher/Giallos

Música incidental “Resíduos do Ódio” (Bá Kimbuta) em “Rádio Diáspora”

Gravado por Luis Tissot no Caffeine Sound (SP), em Janeiro/19

Assistência de gravação por Mayra Vescovi

Mixagem e masterização por LuisTissot

Artes por ZBR

Tracklist:

  1. Colonial
  2. Pilhagem
  3. Descuido
  4. Virgem
  5. Crocodilagem, Armas de fogo
  6. Tupac Amaru Overdrive
  7. Verdades
  8. Vodu
  9. Dois Copos
  10. Brown-Brown
  11. Rádio Diáspora

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Tags : GiallosMissa do Galo
Supernova

Escrito por Supernova

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