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Armando Lôbo lança um olhar amoroso e sádico sobre a música brasileira com novo álbum Myopic Serenade

Myopic Serenade não é apenas um álbum de canções, é um ato dramático, uma narrativa visual e literária. Obra da mente irrequieta de Armando Lôbo, compositor, arranjador e poeta, este novo trabalho vem para confirmar a qualidade visionária de sua produção musical.

Hábil em proclamar culturas tão díspares como o folclore nordestino, a cultura clássica e as vanguardas modernas e contemporâneas, Armando Lôbo aventura-se por uma miríade de cenários bastante imaginativos. A miopia é usada como uma metáfora de diferentes visões da realidade que enxerga. Por meio de sua lente épica, lírica e às vezes satírica, exibe figuras alegóricas e arquétipos desconcertantes.

(Foto – Suzanne Heffron | Arte: Renée Melo)

Um certo tom de expressionismo e fantasia de Myopic Serenade denota uma violência simbólica e sutil. Os temas do álbum são ácidos (às vezes sádicos), concebidos e executados para mexer mesmo na realidade e nos nervos do ouvinte.

Na distopia da pós-modernidade, o erotismo chulo ou transcendente, a androginia, a festa, e a decadência suicida marcam presença no trabalho, a começar pela faixa-título, “Myopic Serenade”, uma epifania intensa, cheia de nuances graves, uma “trans-ópera” psicodélica onde o canto lírico de uma soprano agoniza e gargalha em seresta surreal, onde queers desfilam lado a lado com tories (conservadores britânicos), em um beco boêmio do Rio de Janeiro. Cheio de simbolismos, o álbum tem figuras como o sambista de “Mr. Hangman”, que caminha para a forca ao som de um trompete de gafieira jazzística, ou “Mestre Coriolano”, personagem baseado no Coriolanus de Shakespeare, adaptado por Lôbo para a cultura popular nordestina na forma de um maracatu rural com final ensandecido.

A música, o som como um delírio fascinante e perigoso. A canção “Lady Lazarus” narra o suicídio da poetisa americana Sylvia Plath, ao mesmo tempo em que homenageia David Bowie. Um proibidão cheio de palavrões possui nome de filosofia erótica hindu: “Tantra”, uma catarse elaborada e vagabunda, que faz uma provocação à onda opinativa rasteira da cultura brasileira atual através da combinação de funk carioca com a música de vanguarda eletroacústica. A tradição popular como ficção vinda dos fios elétricos e do barro, o boi do Maranhão recriado em “Pindaré Reloaded”, o enluarado cavaco em diálogo com texturas eletrônicas em “The Loner and the Crowd”, o entrechoque que almeja anular os opostos.

Myopic Serenade exibe um outro olhar sobre a música brasileira, um olhar com cheiro e fome.

O álbum chega a todas as plataformas de streaming na terça-feira, 21 de novembro. O videoclipe de “Pindaré Reloaded” será lançado na quarta-feira, dia 22, e é uma criação da artista visual romena Oana Stanciu.

Visite o site oficial e escolha o player para ouvir Myopic Serenade.

Na mídia:

“No Myopic Serenade há desde uma recuperação de O Circo Vai Lotar no repertório da Santa Boemia a uma recriação do hino folclórico do Maranhão, em “Pindaré Reloaded” (que poderia chamar de “Boi de Macbeth”)” e “um funk artístico preservando a bela vulgaridade do estilo, “Tantra (Proibidão)”, a canção mais erudita do disco”.  (Por Marcelo Pereira, no Jornal do Commercio (PE))

“Multiartista de ligações diretas com a literatura e artes visuais, o compositor erudito/popular pernambucano Armando Lobo prepara um lançamento que colocará em novo patamar a MPB projetada no exterior.” (Por Tárik de Souza, no IMMub (RJ))

Biografia:

Atualmente vivendo na Europa, o recifense Armando Lôbo é músico, cantor e poeta. Possui sólida carreira que passeia entre a música de concerto e a música popular, sempre movido por uma verve experimental e abrangente numa simbiose entre literatura, cinema e até religião para criar suas peças sonoras. Lôbo tem três discos solos lançados, entre eles Vulgar & Sublime (2007) e Técnicas Modernas do Êxtase (2012); coleciona feitos como ter recebido o Prêmio da Música Brasileira, em 2010, pelo disco de estreia da Orquestra Frevo Diabo e o Prêmio Funarte, em 2012 e 2016, por Composição Clássica. Armando desenvolve tese de PhD em Composição Musical, na University of Edinburgh, na Escócia.

Myopic Serenade, Arte por Renée Melo: Armando sofre de uma distrofia ocular chamada ceratocone, sua córnea tem forma cônica, pontuda, e a condição vai se acentuando ao longo do tempo. Sem intervenção, a córnea vai se deformando até impedir a visão. A imagem da capa é uma interpretação artística de um exame de topografia corneana, que justamente mapeia o relevo irregular da córnea.

Tracklist:

  1. Myopic Serenade (Armando Lôbo)
  2. Pindaré Reloaded (Armando Lôbo / Domínio Público) esta peça é uma recriação livre da canção tradicional “Boi de Pindaré”, parte do folclore do Maranhão (Brasil)
  3. Vade Retro (Guto Brinholi) – versão em inglês por Armando Lôbo
  4. The Bride Song (Armando Lôbo /  Renato Rezende)
  5. Lady Lazarus (Armando Lôbo)
  6. Mr. Hangman (Armando Lôbo)
  7. The Loner and The Crowd (Armando Lôbo)
  8. Mestre Coriolano (Armando Lôbo)
  9. Tantra (Proibidão) (Armando Lôbo)

Ficha técnica:

Armando Lôbo – vozes, guitarra, cavaquinho, sintetizador, percussão, programação, edição de áudio

Lissa Robertson –  vozes em “Lady Lazarus” e “Mr Hangman”

Lavinia Blackwall – vozes em “Myopic Serenade”

Scott Jamieson – bateria

Guto Brinholi – baixo elétrico (e no coro de “Mestre Coriolano”)

Alípio C Neto – saxofone (e no coro de “Mestre Coriolano”)

Cameron Oogabooga Jay – trumpete

Michael Owers – trombone baixo

Produzido por Armando Lôbo

Mixado por Graeme Young e Armando Lôbo

Masterizado por Mandy Parnell (Black Saloon, Londres)

Gravado no Chamber Studio (Edinburgh, UK), Boca de Lobo (Edinburgh, UK), Post Electric Studio (Edinburgh, UK) e Insugherata Live Recordings (Roma, Itália)

Engenheiros de gravação: Graeme Young (Chamber Studios), Kris Pohl (Post Electric Studio), Francesco Lo Cascio (IRL) e Armando Lôbo (Boca de Lobo)

Fotos: Suzanne Heffron

Design gráfico: Renée Melo

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